Apresentam o Códice nas trevas

O homem franzino segurava a pena sobre o pergaminho do encadernado a sua frente. O artefato peculiar possuía capa de madeira e era revestido de couro ornamentado. Sua mão trêmula reforçava os traços da figura de chifres que lhe fora ordenado a ilustrar em outra época.

Herman era um monge que cobiçava a mais alta posição na Ordem dos Monges Negros em que fizera seus votos. Ambicionava exercer o poder sobre todos e, para tornar real seu desejo, tinha ciência de que deveria direcionar suas preces a seres de camadas inferiores.

O Demônio, sempre à espreita para subverter a humanidade, atendeu prontamente ao pedido do homem, fazendo com ele um acordo. Como pagamento, o novo abade ordenaria aos seus discípulos que confeccionassem um códex, o maior e mais majestoso manuscrito existente. Herman, que a vista de todos seria um “homem santo”, profetizaria para multidões, servindo de forma grandiosa aos intentos diabólicos.

O Senhor das Trevas mostrou ao abade, por meio de experiências oníricas, as mensagens proféticas que o grande volume deveria conter.

Os escritos atingiriam a mente humana através de mensagens subliminares, códigos demoníacos ocultos entre salmos e orações. Desta forma, a animosidade se instalaria entre os homens, facilitando para que O Maligno reinasse entre eles.

Algum tempo depois de chegar ao conhecimento humano, o manuscrito receberia o título de O Código do Diabo, devido à ilustração de um demônio que ocupava a extensão de uma página — uma homenagem a seu verdadeiro criador. Essa ocorrência nunca foi contestada pelas autoridades eclesiásticas, dada a santidade do conteúdo registrado no manuscrito.

Em seus últimos momentos, o velho homem entoava um cântico amargurado enquanto copiava palavras na própria pele. Seu corpo continha transcrições em latim, recitadas no ritual de purificação da Ordem dos Monges Negros, uma tentativa de livrar sua alma do inferno. Esses foram os instantes que antecederam a junção das paredes que encerrariam o miserável na escuridão eterna. Ele havia cumprido seu amaldiçoado destino, servindo de emissário do Demônio. Desde então, o Códex permanece difundindo o caos na Terra, e assim será até o fim dos tempos.

Tópicos que podem ajudar na construção do enredo:

Quais experiências as palavras registradas por Herman acometem aqueles que as conhecem?
Quais são os segredos que guardam os pergaminhos escritos através do disfarce diabólico?
A humanidade está preparada para ouvir a palavra do Senhor das Trevas?
A narrativa poderá ser construída através do panorama da entidade ou do humano.
Fica a cargo do autor a escolha da época em que se passam os eventos.
Não é obrigatória a menção do abade.
Use e abuse dos elementos sobrenaturais; quanto mais trevoso, melhor!

Boa sorte a todos!

“Não conhece a morte aquele que confia sua alma ao Senhor do Caos.”

Fernanda Vieira é uma autora que resgata elementos do gótico e os redefine em histórias repletas de ambientações bem construídas e assombrosas. Evocando clássicos como Edgar Allan Poe, Ann Radcliffe costurada por uma lírica byroniana, seus contos exploram mundos oníricos e entidades sobrenaturais numa escrita elegante e bem elaborada. A autora traz à tona as suas influências clássicas e mitológicas.

Seu conto de estreia “A travessia dos condenados” é um trabalho refinado e assustador e está disponível para download na Amazon

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Colaboradores

L. J. Brunh é um autor que nos transporta para mundos sombrios recheados de misticismo, fantasia e entidades tenebrosas. Extrapolando na criatividade e influenciado pelos mundos fantasiosos de role-playing games, L. J. Brunh constrói jornadas pertubadores de personagens inesquecíveis. Ao mergulharmos nos universos criados por L.J.Brunh é inevitável não nos sentirmos envoltos pelo legado de Robert E. Howard, precursor do gênero “espada e feitiçaria”. . Resgatando o que há de mais terrível no mundo da fantasia sombria, sua obra “Forjado no Caos” conta a história de Garryck, um misterioso e sombrio assassino renegado, conhecedor da alquimia e dotado de habilidades mística e está disponível em mídia física e digital, que pode ser encontrada na Amazon. br.

Rafael Santos é um autor de fantasia e terror que nos transporta por tramas curtas e impactantes.

A escrita de Rafael é envolvente e seus contos bem construídos nos levam ao encontro de desfechos de inesperados e tenebrosos!

Há muito da narrativa contemporânea e do terror psicólogico de Stephen King em sua escrita embora Rafael desenvolva seu jeito próprio de contar histórias.

Matim-Taperê, um dos seus principais contos, é recheado de regionalismo e mistério e está disponível na Amazon.br

Sergio Mattos nasceu em Fortaleza, é autor de histórias de horror e suspense e, em seu currículo, possui livros e contos diversos lançados ao longo de sua carreira, alguns flertando com o horror cósmico, o saudosismo oitentista e o lirismo prosaico do horror mais clássico. A verossimilhança se entrelaça com suas histórias, abordando eventos possíveis e personagens mais fidedignos em seus textos, trazendo um toque de realidade à sua ficção. Participou de diversas antologias e possui trabalhos publicados tanto por editoras quanto de maneira independente, ganhando notoriedade com o lançamento de “O Abismo”, seu romance policial. Entre suas obras, em antologias, “O vampiro do Leblon”, à O mundo fantástico de R.F. Lucchetti – Editora Coerência; “A morte não se atrasa”, à 31 contos assombrados II – Editora Rouxinol; ” Um amor para Mirella”, à Sociedade dos Corvos II – Editora Coerência. Na Amazon, de forma independente, os contos, “Uma noite de insônia”, “Zeus” e “Fã número um”; e as novelas, “Mortemônio”e “A noite nos devora”.